Crime da degola – 3ª audiência na justiça comum

10/09/2010 19h48 - Atualizado em 10/09/10 19h48
Realizada nesta sexta-feira, dia 10 de setembro, a terceira audiência de instrução para oitiva de testemunhas do processo referente ao homicídio de dois empresários mineiros, em abril deste ano, no bairro Sion, região Centro-Sul da Capital. A sessão foi presidida pela juíza sumariante do 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, Maria Luiza de Andrade Rangel Pires. 

Seis dos oito acusados estiveram presentes na audiência: F.C.F.C., R.M., A.G.G., A.B., A.S.L. (presos) e S.E.B (solto). A pedido da defesa, F.C.F.C. não permaneceu na sala durante o depoimento de sua mãe que, considerada informante, foi a primeira depoente do dia. 

Ela relatou que o filho foi uma criança normal e dócil até certa idade. Afirmou que em idade escolar era inteligente, mas “superativo” e que por isso tinha problemas para fazer amizades e se envolvia em brigas. A depoente revelou que, na adolescência e início da vida adulta, F.C.F.C. começou a se envolver com drogas e álcool, se envolveu com falsos amigos, tentou suicídio e chegou a se tratar com um psicoterapeuta. A mãe disse lamentar que o tratamento não tenha continuado e que, por isso, “o filho fez o que fez”. Mas advertiu que ele nunca lhe confessou nada a respeito das acusações. Para ela, o filho é quem foi manipulado, acreditando que ele não seria capaz de fazer sozinho tudo o que está sendo atribuído a ele. 

Explicou que a ligação de sua família com a do executivo que acusou F.C.F.C. de extorsão e tortura, não é consangüínea, “não tem o mesmo sangue, graças a Deus”. Também confirmou que foi o próprio informante quem contou a ela sobre a extorsão que F.C.F.C. teria praticado, cobrando-lhe o pagamento de R$ 1 milhão. Disse ainda acreditar que o filho tenha mesmo o agredido, porque o executivo devia dinheiro a F.C.F.C. e estava assediando a filha dela. 

Um senhor dono de uma imobiliária foi o segundo depoente da audiência. Sua declaração durou cerca de quinze minutos. Na ocasião, o réu F.C.F.C. estava presente na sala e cumprimentou a testemunha. O senhor disse que conheceu F.C.F.C. por meio de G.C.F.C. que o apresentou como avalista na compra de salas comerciais. Segundo a testemunha, F.C.F.C. pagou sete meses de aluguel adiantados e era uma pessoa muito educada. O depoente também conheceu o acusado S.E.B. que trabalhou como porteiro do prédio onde funciona a imobiliária. Para o senhor, S.E.B. é “uma pessoa exemplar”. 

O advogado dos policiais acusados de participar do crime arrolou como testemunhas oficiais e outros policiais militares que conheciam os acusados da unidade ou que trabalharam com eles, totalizando 11 depoimentos. Um dos oficiais, coronel da reserva, frisou que quando estava na ativa, ambos os acusados eram destacados como policiais de sua confiança. 

Após a oitiva dos militares, a filha de A.B. prestou o seu depoimento. Ela declarou que seu pai a levou e a buscou no Axé, que estava sendo realizado no Mineirão, nos dias 9 e 10 de abril, buscando-a nos horários de 3h e 1h30, respectivamente. 

A última testemunha a depor hoje foi a professora particular de F.C.F.C. Ela disse que o conheceu quando ele tinha oito anos de idade, e desde então fez amizade com a família. A professora confirmou ainda que o acusado se envolveu com drogas e tornou-se muito agressivo na adolescência, demonstrando alterações de comportamento e humor. Ela ressaltou que F.C.F.C. “tinha um jeito especial de persuadir as pessoas quando queria que alguém aderisse a uma de suas idéias”. Além disso, a professora disse que soube das tentativas de suicídio de F.C.F.C. e que não conhece nenhum dos outros acusados. 

Ao todo, foram ouvidas 15 testemunhas da defesa. Ontem, prestaram depoimento as cinco últimas testemunhas de acusação: um contador que teria emprestado dinheiro à vítima R.S.R., a então esposa de R.S.R. e filha de A.G.G., uma faxineira que já chegou a trabalhar para F.C.F.C., um médico que formou sociedade com a médica acusada G.C.F.C. e um sócio da vítima R.S.R. 

Já está reservada a data de 20 de setembro, às 8h, para continuar a oitiva do restante das testemunhas dos réus presos. A audiência será realizada no 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette. Após a oitiva de todas as testemunhas, será marcada a data do interrogatório dos acusados. Os processos foram desmembrados. A juíza decidiu que o processo que envolve os réus presos irá correr separadamente do processo dos réus soltos, devido ao cumprimento dos prazos previstos e ao número de volumes do processo. 



Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional do TJMG – Ascom 
Fórum Lafayette