Foi condenado em 1ª Instância, na Justiça Militar de Minas Gerais, o terceiro sargento da Polícia Militar acusado de vazar para uma organização criminosa informações de dentro do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de Minas Gerais (Gaeco/MPMG), onde era lotado. A sessão de julgamento foi realizada na última quinta-feira, 18, apenas sete meses após o recebimento da denúncia pela 4ª Auditoria da Justiça Militar (4ª AJME), o que demonstra a celeridade da tramitação do caso neste segmento especializado de Justiça, com pronta resposta à sociedade mineira.
O sargento da PMMG foi condenado pelo Conselho Permanente de Justiça a 11 anos e seis meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de “embaraço de investigação de organização criminosa e corrupção passiva”. A Justiça Militar recebeu a denúncia do MPMG no dia 11 de fevereiro, dando conta de que o militar, no período compreendido entre os meses de outubro de 2024 e janeiro de 2025, estando a serviço ou mesmo em períodos de folga, havia embaraçado investigação envolvendo organização criminosa armada denominada Sala Vip, que é sediada em Minas Gerais e manteria vinculação permanente com a facção Terceiro Comando Puro (TCP).
Ainda na denúncia, o MPMG explica que o caso foi revelado em novembro do ano passado, quando o Gaeco deflagrou a Operação Êxodo, destinada ao cumprimento de dezenas de ordens judiciais de busca e apreensão, prisão e sequestros de bens e valores ligados a pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao TCP e à Sala Vip, atuantes em Belo Horizonte e no Estado do Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram prolatadas pelo juízo da 5ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da comarca de Belo Horizonte, no âmbito da investigação denominada Maré.
A operação teve como saldo positivo a apreensão de mais de 200kg de drogas ilícitas, munições e armas de fogo, o bloqueio de R$ 347 mil e a prisão de 12 pessoas, porém chamou atenção o não cumprimento de mandados de prisão expedidos em desfavor de cinco pessoas, entre elas o líder da Sala Vip. Foi então que o Gaeco recebeu informações acerca do vazamento de dados sensíveis da investigação e foram pleiteadas medidas cautelares de quebra de sigilos telemático e telefônico, que revelaram a associação do sargento a integrantes da organização criminosa para repassar informações privilegiadas destinadas a manter os líderes a salvo da atuação policial.
O sargento foi preso no dia 15 de janeiro dentro da sede do próprio MPMG e desde então está detido em um batalhão da Polícia Militar. Durante a sessão de julgamento na Justiça Militar essa prisão foi mantida, negando, assim, o direito de ele recorrer em liberdade.
Texto: Esperança Barros
Ascom/TJMMG
