Campanha muda a forma de descarte de resíduos nas instalações do TJMMG

21/10/2022 09h02 - Atualizado em 21/10/22 09h02

Quando magistrados e servidores da Justiça Militar mineira chegaram para trabalhar nesta quinta-feira, 20, perceberam algo diferente. A partir dessa data teve início oficialmente a campanha “Descarte Consciente”, que passa a fazer a coleta seletiva dos resíduos produzidos nas instalações do Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais, e o ponto de partida desta nova cultura é a forma correta de descarte de resíduos, em lixeiras específicas para cada tipo de material.

“Hoje temos a oportunidade de iniciar um novo ciclo no Tribunal, Tribunal este que vem ao longo dos anos melhorando em diversos aspectos, seja de pessoal, de logística, etc. Agora chegamos a um momento muito importante, que é a questão da coleta seletiva”, disse o presidente do TJMMG, desembargador Rúbio Paulino Coelho, no lançamento da campanha. Para ele, a iniciativa que ora se inicia irá muito além do espaço físico da instituição.

“Quando olhamos para dentro da nossa casa, nossos vizinhos, vamos ver o quanto ainda temos que progredir como cidadãos. Pouquíssimos já fazem, a essa altura, em 2022, a coleta seletiva, e isso é um atraso. Temos que detectar, mudar essa situação, e às vezes aqui temos mais condições de fazer e de multiplicar nossas ações. No Tribunal mesmo já tivemos essa tentativa anos atrás, chegamos a comprar lixeiras separadas por cor, mas é difícil mudarmos a cultura das pessoas, então temos que começar a trabalhar aqui, é essa conscientização que nós esperamos começar a partir de hoje”, convocou o presidente do TJMMG, que agradeceu o trabalho desenvolvido pela Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável (CGPLS), que tem na presidência o desembargador Fernando Armando Ribeiro.

“Cumprimento o desembargador Fernando Armando pelo trabalho claro que está tendo esta comissão e sempre digo que temos obrigação de cumprir as metas do Conselho Nacional de Justiça – CNJ, mas muito mais que isso, temos a obrigação de cumprir nosso papel como cidadão, como servidor”, completou o presidente Rúbio.

Com a campanha “Descarte Consciente”, uma iniciativa da CGPLS com apoio do Serviço de Comunicação Institucional – Secom, o lixo passa a ser separado de três formas: nas lixeiras com saco azul, serão destinados os materiais recicláveis; nas lixeiras com saco preto, os resíduos não recicláveis; e, na caixa de papelão, serão dispensados os papéis. As lixeiras estão sendo adequadas a essa nova logística até o final da semana, e cartazes afixados nos pontos de descarte, com explicação mais detalhada sobre a separação do material.

Para orientar sobre a importância dessa iniciativa e como fazer o descarte correto, foi apresentada a palestra “Pensando a coleta seletiva: aspectos conceituais e de participação”, proferida por Diogo Cesar Pereira, Gerente de Educação para a Limpeza Urbana da Superintendência de Limpeza Urbana – SLU, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. A palestra reuniu uma plateia de servidores no auditório do Tribunal e houve transmissão ao vivo pelo canal da Escola Judicial Militar no YouTube para aqueles que estão em teletrabalho.

Diogo Cesar Pereira frisou a importância da iniciativa adotada pelo TJMMG. “Ainda temos muito a avançar em termos de medidas reais e efetivas de implementação de projetos de sustentabilidade como este do Tribunal (…) A palavra lixo traz o aspecto de que é o todo homogêneo, e, quando a gente começa a trabalhar a noção de resíduos sólidos, percebe que há uma infinidade de materiais com composições diferentes neste todo que a gente chama de lixo. Esse é o primeiro passo importante para o programa de vocês ter sucesso: a gente desenvolver essa capacidade de identificar os diferentes resíduos que geramos dentro do Tribunal. E para identificar, a gente tem que se atentar à constituição deste material”, ressaltou.

Diogo explicou que coleta seletiva é um sistema, e o papel dos servidores vai muito além do descarte nas lixeiras corretas. Passa, por exemplo, por tomadas de decisão mais assertivas do ponto de vista da sustentabilidade, desde a aquisição dos produtos até o trabalho de multiplicação da informação. “O principal objetivo de um projeto de coleta seletiva não é aumentar a quantidade de reciclável a ser coletado, mas principalmente formar muitos multiplicadores, para que em outros espaços a gente possa levar essa iniciativa que o Tribunal está fazendo. Isso desenvolve uma cultura engajada em relação aos resíduos sólidos”, ensinou.

O palestrante detalhou como é feita a separação pela Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável – Asmare, que fará a coleta e a destinação dos resíduos recicláveis gerados pelo TJMMG, e citou alguns resultados práticos da coleta seletiva: aumenta a vida útil dos aterros sanitários, contribui para mitigar a emissão de gases de efeito estufa, ajuda a diminuir a demanda da exploração de recursos naturais e gera renda para famílias de cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

“Aqui vocês estão trabalhando com a Asmare e isso é muito importante, porque são famílias que dependem desse trabalho para sobreviver. Então a coleta contribui para a instituição cumprir seu papel na sociedade como indutor de práticas sustentáveis, porque para o cidadão, não só aquele que faz parte da instituição, mas aquele que em algum momento entra em contato e vê que é uma instituição que tem coleta seletiva implantada e funcionando, isso é um exemplo”, elogiou o palestrante, destacando que qualquer desconforto com a mudança é natural.

“Em toda mudança a gente se atrapalha um pouco, é normal, e com o tempo se adapta até se tornar em natural. Hoje está começando este programa, o importante é um passo de cada vez, alguma coisa não vai funcionar aqui ou ali e vai ajustando. É fundamental vocês terem a consciência do que é o programa, qual o objetivo, quais os materiais que devem ser separados para esse descarte, para qual lixeira e caixa será destinado, é uma postura muito de cooperação. O amigo do lado pode ter alguma dúvida, então vai lá e ajuda. Essa colaboração entre os nossos pares contribui muito para o sucesso do programa”, orientou.

O desembargador Fernando Armando, presidente da Comissão, ressaltou exatamente essa relação entre a ação individual para a transformação social. “Esses dois elementos – o suporte coletivo e a ação individual – só existem e vão avançar quando se retroalimentarem. Estou convencido da importância desse tema para a transformação das nossas práticas em nossa instituição, para que resultem em transformações em toda a sociedade”, analisou, com a certeza de que a mudança de cultura logo em breve se tornará um hábito saudável.

“Orientação permanente e entrelaçamento com outras instituições irão fazer com que o Tribunal coloque no dia a dia de cada um dos servidores e servidoras essas práticas que vão resultar nestes grandes benefícios coletivos. As mudanças não são ditames, coercitivas, e vão se tornando simples. Evidentemente no primeiro momento todos nós temos que nos afeiçoar à criação do hábito, mas isso ocorre em qualquer hábito. Depois, aquilo toma uma naturalidade e você percebe que é tão simples fazer o descarte seletivo quanto jogar papel no chão, é uma questão simplesmente de você ter a consciência e escolher este caminho correto”, disse.

“Estamos na Comissão trabalhando há algum tempo para que isso se viabilize. Agradeço à alta administração do Tribunal pelo apoio que nos tem dado, e agradeço a todos os servidores que abrem seus corações e ouvidos a essa convocação tão importante e urgente dos nossos dias e nos nossos tempos”, finalizou o desembargador.

Texto: Secom/TJMMG