Encontro das Assessorias de Comunicação integra Tribunais de Justiça Militar em dois dias de programação

O Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais promoveu, nos dias 23 e 24 de outubro, o I Encontro das Assessorias de Comunicação dos Tribunais de Justiça Militar, que reuniu ainda representantes dos Tribunais de Justiça Militar dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Durante dois dias de encontro foram discutidos temas de grande relevância e atualidade, com o objetivo de qualificar práticas, trocar experiências e alinhar ações comunicacionais internas e perante a sociedade.

Considerando a importância das assessorias de comunicação dentro das estruturas organizacionais das instituições públicas e privadas, o I Encontro das Assessorias de Comunicação dos Tribunais de Justiça Militares foi idealizado pelo presidente do TJMMG, desembargador Jadir Silva, que deu as boas-vindas aos convidados.

“O objetivo deste evento é proporcionar a todos os participantes momentos para o compartilhamento de experiências bem sucedidas, diante da constante necessidade de fortalecer e divulgar a imagem de uma Justiça Militar ainda tão desconhecida da sociedade, dos operadores do Direito e até mesmo dos nossos jurisdicionados, conforme o resultado de uma recente consulta pública realizada pela Ascom deste Tribunal de Justiça Militar”, disse o desembargador Jadir Silva no discurso de abertura do evento, voltando-se à plateia formada ainda por representantes dos setores de comunicação da Polícia Militar de Minas Gerais, Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e de tribunais parceiros, como Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6).

O presidente ressaltou a importância estratégica dos setores de comunicação para preservar a imagem das instituições, um desafio cada vez maior em especial no ambiente digital. “Não temos dúvidas que, com os avanços digitais no mundo, a importância da assessoria de comunicação vem crescendo por conta da velocidade com que as informações e boatos se espalham. Com a força das redes sociais, os desafios cada vez tem sido maiores para as assessorias de comunicação, principalmente no desempenho do papel de zelar pela boa imagem institucional perante o público externo e interno, funcionando como facilitador de relacionamentos, por meio da administração e divulgação dos acontecimentos de forma eficaz”, disse.

TJMG – A primeira palestra do evento foi proferida pela gerente de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Kátia Mássimo, acompanhada por Eudes Júnior, coordenador de Rádio e TV do TJMG. Kátia iniciou a explanação falando sobre o conceito da comunicação pública e sua evolução até os dias atuais.

“Fazer comunicação pública tornou-se um processo dinâmico, com novas formas de relacionamento e participação cidadã, com foco no ciberespaço e cibercultura. A gente ampliou muito o meio de comunicar, tem muitas formas, mas o ciberespaço deixa as instituições muito expostas”, analisou a palestrante. Ela detalhou a estrutura de funcionamento do setor de comunicação do TJMG, e falou sobre os desafios de se gerenciar a comunicação de um órgão de tamanho porte e atuação nos quatro cantos do estado.

“É preciso acompanhar o contínuo avanço das mídias e posicionar-se no espaço público virtual que tende a crescer. Fazer com que as pessoas envolvidas compreendam o papel da comunicação pública, que difere da comunicação governamental e comunicação corporativa. Também adotar critérios de noticiabilidade para definir o que se tornará pauta nos nossos meios de comunicação, e isso leva em conta o interesse público, relevância, atualidade e proximidade”, disse.

Imagem – O uso das redes sociais foi tema da segunda palestra, proferida pelo tenente-coronel Flávio Santiago, chefe do Centro de Jornalismo da PMMG. Entre outras coisas, ele falou sobre princípios de marketing e branding aplicados à atividade da comunicação pública nas mídias digitais.

“Não se faz maketing digital sem trabalhar informação, educação, entretenimento, agendamento e curiosidade. Tudo o que lanço nas mídias sociais eu preciso preencher pelo menos uma dessas colunas”, explicou.

Na sequência, o coronel veterano da PMMG Gilmar Luciano Santos falou sobre gerenciamento de crise da imagem institucional. Ele, que também é professor, explicou como elaborar um plano de gerenciamento de crise e quais movimentos a serem tomados para minorar os desgastes de imagem, em especial levando em consideração critérios para a tomada de decisão tais como necessidade, validade de risco, aceitabilidade, custo e benefício.

“O plano de gerenciamento de crise deve ser uma estratégia bem escrita e delineada. Não há processo de tomada de decisão sem analisar o microambiente interno e o macroambiente externo. Identifique o problema, a ameaça e suas variáveis, defina o que fazer, a estratégia operacional com a equipe de comunicação e sempre tenha um porta-voz na hora de agir”, orientou.

Metas – O segundo dia de programação abriu com palestra do coronel Giovanne Gomes da Silva, chefe de gabinete da presidência do TJMMG, que falou sobre “A importância da Ascom nas metas do CNJ”. “É importante que a Ascom esteja subordinada diretamente ao maior cargo do órgão, e suas atribuições relativas às metas do CNJ são inerentes a todos os setores do Tribunal. Tudo o que uma instituição faz, a Ascom precisa saber a informação, e às vezes precisa intervir, porque uma de suas atribuições é cuidar da higidez da imagem institucional daquele órgão”, detalhou.

Segundo o cel. Giovanne, a Ascom deve propor, executar e desenvolver políticas ligadas às estratégias. “É a comunicação que vai escrever e pontecializar as notícias relacionadas às metas, colaborar com essa divulgação interna e promover a interação com o público interno. É preciso que a Ascom conheça os regulamentos e glossários de cada prêmio, conheça os planos de ações estabelecidos por cada área (finalísticas e meio), participe das reuniões periódicas e mensais. Precisamos que as assessorias de comunicação estejam no mesmo ritmo do topo dos órgãos. Se a assessoria não estiver no mesmo ritmo, as informações não vão fluir e, sem informação, sem divulgação, a alta gestão fica isolada”, pontuou.

Linguagem Simples – O último tema discutido durante o evento foi o uso da Linguagem Simples nas comunicações dos tribunais, em palestra proferida pelo analista em tecnologia da informação José Fernando Barros e Silva, do TRF6, e pela gestora do Laboratório de Inovação e Criatividade da Justiça Federal do Paraná, Márcia Ditzel Goulart.

“Nossa cultura do Judiciário afasta as pessoas, pela arquitetura, pelas vestes, pelas palavras. O ‘juridiquês’ não colabora para nos aproximar das pessoas, porque exige letramento específico”, introduziu Márcia Ditzel.

Eles explicaram a história da Linguagem Simples no Brasil e no mundo, citaram alguns detalhes sobre como simplificar a linguagem na prática e analisaram alguns dos mitos relacionados ao tema. “Em nenhum momento a Linguagem Simples quer tirar os termos técnicos de um documento, porque se é técnico, ele tem que existir, é inviolável. Talvez seja o caso apenas de eu explicar o termo, a Linguagem Simples me orienta que eu deixe esse termo mais claro”, disse José Fernando.

Balanço – O I Encontro das Assessorias de Comunicação dos Tribunais de Justiça Militar foi encerrado pelo desembargador James Ferreira Santos, vice-presidente do TJMG. “Estou vendo o quanto as instituições foram beneficiadas com esse evento. Estamos vendo aqui a evolução das assessorias, e o Tribunal está de parabéns pela realização do evento”, elogiou o desembargador.

Os convidados do evento corroboraram com a avaliação positiva. “Tivemos dois dias muito ricos aqui no TJMMG, para discutir temas muito atuais e importantes não só para os Tribunais, mas para a comunicação institucional em geral. Foi uma programação enxuta, mas rica, com uma troca de experiências fundamental em temas atuais”, disse Marcelo Nepomuceno, coordenador de Comunicação do TJMRS. “A gente fala muito de relacionamentos em rede e acho que nós, profissionais de comunicação, também temos que agir nesse conceito. Sabemos que a Justiça Militar é uma Justiça muito específica, por isso é importante que nós estejamos com ações integradas e uma visão integrada do nosso trabalho”, ressaltou.

Adriano Negrão Paladini, assessor da presidência do TJMSP que tem entre suas atribuições responder pela Assessoria de Comunicação Institucional do órgão, também destacou a relevância da iniciativa. “A integração dos três tribunais fortalece não só o segmento, mas sobretudo a ideia de transmitir para o jurisdicionado, e também para o leigo, o que é a Justiça Militar estadual, qual o nosso propósito, a importância que nós temos. Esse trabalho integrado acho que é o caminho para que a gente possa mostrar nacionalmente que nós não somos órgão corporativo, somos órgão de Justiça, com o intuito de proteger o cidadão, de fortalecer as corporações e garantir a Justiça no país”, destacou.

Texto: Esperança Barros
Ascom/TJMMG

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