O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está realizando até esta segunda-feira, 18, uma pesquisa nacional para compreender como as responsabilidades de cuidado — com crianças, familiares idosos, pessoas com deficiência e a própria saúde, por exemplo — afetam a vida profissional dos trabalhadores do Poder Judiciário. O questionário é dirigido a todos, independentemente do cargo ou do vínculo, em especial magistrados, servidores, terceirizados, estagiários e jovens aprendizes.
A pesquisa aborda o chamado trabalho de cuidado, que inclui atividades essenciais à vida cotidiana, como cuidado com crianças; cuidado ou apoio a pessoas idosas; atenção a pessoas com deficiência ou com necessidades específicas, incluindo enfermas; gestão da rotina doméstica de preparar alimentos, administrar medicamentos, realizar atividades de higiene e outros; além de autocuidado e cuidados com a própria saúde. Este trabalho pode ser exercido de forma remunerada ou não, dentro ou fora de casa.
O debate sobre o tema cresceu diante do reconhecimento de que as responsabilidades de cuidado impactam diretamente a vida profissional, a saúde mental, a produtividade e a progressão na carreira, afetando de forma desigual especialmente as mulheres e as famílias em situação de vulnerabilidade social. É nesse contexto que se insere a Política Nacional de Cuidados, iniciativa do governo federal voltada a reconhecer, redistribuir e valorizar o trabalho de cuidado no Brasil, promovendo maior equidade entre os diferentes grupos sociais.
A participação na pesquisa realizada pelo CNJ é voluntária e as respostas são anônimas. O preenchimento leva, em média, 15 minutos. Eventuais dúvidas podem ser encaminhadas ao e-mail justicaplural.pesquisa@undp.org.
Política de Cuidados – A pesquisa foi lançada dia 27 de abril pelo Grupo de Trabalho de Cuidados (GT de Cuidados), criado pela Portaria CNJ n. 379/2025, e integra o processo de elaboração da futura Política de Cuidados no Poder Judiciário. Os dados coletados complementarão os resultados de um levantamento anterior, realizado entre fevereiro e março deste ano junto a tribunais e seções judiciárias.
Ambos os levantamentos contam com o apoio técnico do Programa Justiça Plural, iniciativa de cooperação entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Na primeira pesquisa, foram mapeadas estruturas de governança, programas institucionais, normativos internos, planejamento orçamentário e os principais desafios relacionados à agenda de cuidados.
“Sabemos que o trabalho de cuidado não é distribuído de forma equilibrada dentro das famílias, nem na sociedade. Os dados levantados nessas pesquisas vão embasar o desenho de uma política baseada em evidências, capaz de transformar essa realidade também dentro do Judiciário”, afirma a juíza auxiliar da Presidência do CNJ e coordenadora-executiva substituta do GT de Cuidados, Camila Pullin.

Edição: Esperança Barros (Ascom/TJMMG), a partir de texto de Lali Mareco (Agência CNJ de Notícias)
