Setembro Verde encerra com palestra sobre acessibilidade, inclusão e superação

A campanha Setembro Verde no Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais (TJMMG) chegou ao fim com a palestra “Além das barreiras: uma conversa sobre acessibilidade, inclusão e superação”, realizada na última terça-feira, 29. A iniciativa da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão foi promovida em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

O encontro foi aberto pela servidora Amanda Gabriela Silva, assistente judiciária, que realizou a leitura de uma mensagem em nome da juíza de Direito titular do Juízo Militar Carolina Aleixo Benetti de Oliveira Rodrigues, presidente da comissão e que, por motivos de saúde, não pôde comparecer ao evento. No texto, a magistrada abordou a importância da inclusão e da acessibilidade para a construção de uma sociedade democrática.

“A inclusão não pode ser compreendida como concessão, favor ou gesto de benevolência. Inclusão é direito, acessibilidade à condição para o exercício da cidadania, e respeito à diversidade humana é pressuposto de uma sociedade democrática”, defendeu.

A mensagem também destacou a responsabilidade do Poder Judiciário na promoção de uma Justiça verdadeiramente acessível, capaz de reconhecer diferentes necessidades, eliminar barreiras e assegurar a participação plena de todas as pessoas. “Uma Justiça que pretende ser efetivamente acessível precisa estar preparada para compreender diferentes necessidades, remover obstáculos e garantir que todas as pessoas possam exercer seus direitos com autonomia, dignidade e igualdade de oportunidades”, disse.

Ao final, reforçou que a inclusão deve ir além do simples acolhimento das diferenças, garantindo condições efetivas de participação e desenvolvimento. “Uma instituição verdadeiramente inclusiva não é aquela que apenas recebe pessoas diferentes, é aquela que cria condições para que todas possam participar, contribuir e desenvolver sua potencialidade, e ocupar seus espaços com dignidade”, concluiu.

A imagem mostra o auditório do TJMMG com diversas pessoas, entre homens e mulheres, sentadas em fileiras de poltronas vermelhas. À esquerda do auditório está o sargento Kerley Tadeu da Silva Jerônimo, em pé. Ele usa uma farda da Polícia Militar, enquanto fala ao microfone. O auditório tem teto e paredes brancas.
Sargento Kerley Tadeu da Silva Jerônimo apresenta a palestra durante a campanha Setembro Verde

A palestra foi apresentada pelo sargento Kerley Tadeu da Silva Jerônimo, integrante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). A partir da própria trajetória, marcada por um acidente de motocicleta em 2012 que resultou na amputação da perna esquerda, o militar compartilhou experiências sobre os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência, especialmente no ambiente de trabalho, além de relembrar sua formação militar, o processo de reabilitação, o retorno ao serviço operacional, os treinamentos e a convivência com os colegas de trabalho. A experiência também o levou a se tornar referência para outras pessoas com deficiência, reforçando a importância de enxergar as capacidades individuais de cada um.

“Quando falamos sobre o desafio de ser único, falamos da dificuldade de individualizar as pessoas dentro de uma instituição gigantesca como a Polícia Militar e de uma sociedade tão plural como a nossa. Muitas vezes, esquecemos que, por trás de cada farda, existe uma pessoa com sua própria história, trajetória e experiências. É justamente essa singularidade que cada indivíduo carrega que eu chamo de desafio de ser único”, destacou.

O militar também relacionou os princípios e valores da PMMG à convivência cotidiana, ressaltando a importância de transformar esses conceitos em atitudes pessoais, como o respeito às diferenças, a busca pelo aprendizado e o impacto positivo na vida de quem está ao redor. “Assim como somos indivíduos únicos, mesmo fazendo parte de uma instituição, podemos levar para a vida pessoal os valores que aprendemos como militares. Honra, profissionalismo e abnegação se transformam em aprendizados constantes, como respeitar as diferenças, valorizar o outro e ser leal aos nossos princípios, melhorando nossa convivência no trabalho e também no ambiente familiar”, afirmou.

A palestra foi uma ação da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão, com apoio da Escola Judicial Militar (EJM) e da Assessoria de Comunicação Institucional (Ascom), e está alinhada às diretrizes da Resolução CNJ n. 401/2021, que estabelece medidas para a promoção da acessibilidade e da inclusão de pessoas com deficiência no Poder Judiciário. O encontro foi encerrado pelo coronel Giovanne Gomes da Silva, assessor institucional da Presidência do TJMMG, que agradeceu a participação do sargento Jerônimo e destacou os ensinamentos compartilhados durante a palestra, especialmente a importância da busca constante pela excelência.

“O sargento Jerônimo se torna um exemplo como cidadão e como ser humano. Sua trajetória demonstra motivação, domínio próprio, resiliência e, principalmente, excelência. Sua experiência ainda nos leva a refletir sobre a importância de buscar e manter essa excelência, um compromisso que também faz parte da atuação deste Tribunal e que deve estar presente em nosso trabalho diário”, finalizou.

Texto: Rafaela Berigo
Edição: Esperança Barros
Ascom/TJMMG

Rolar para cima