TJMMG participa de reunião com presidente do Supremo Tribunal Federal

O Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais (TJMMG) participou, nesta terça-feira, 10, de uma reunião do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, com as presidências dos tribunais superiores e dos tribunais de 2ª Instância do Brasil, realizada no Salão Nobre do STF, em Brasília. O TJMMG foi representado pelo desembargador Osmar Duarte Marcelino, presidente eleito para o biênio 2026–2028, que participou do evento acompanhado pelo chefe de gabinete da Presidência, coronel Giovanne Gomes da Silva.

A imagem mostra oito homens em pé, lado a lado, no salão nobre do Supremo Tribunal Federal. Todos vestem ternos escuros com gravata e sapatos sociais. Da direita para a esquerda estão o desembargador militar Rodrigo Mohr Picôn presidente do Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul; o desembargador Osmar Duarte Marcelino, presidente eleito do TJMMG; o ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça; o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho; o ministro Edson Faquiin, presidente do Supremo Tribunal Federal; o ministro Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça; o ministro Artur Vidigal de Oliveira, do Superior Tribunal Militar; e o desembargador militar Silvio Hiroshi Oyama, presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.
Da direita para a esquerda: desembargador militar Rodrigo Mohr Picon (TJMRS), desembargador Osmar Duarte Marcelino (TJMMG), ministro Mauro Campbell Marques (STJ), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho (TST), ministro Edson Fachin (STF), ministro Herman Benjamin (STJ), ministro Artur Vidigal de Oliveira (STM) e desembargador militar Silvio Hiroshi Oyama (TJMSP), durante reunião do presidente do STF com as presidências dos tribunais superiores e dos tribunais de 2ª Instância do Brasil.

O encontro foi marcado pela assinatura do instrumento de cooperação técnica voltado ao fortalecimento de ações de modernização do Poder Judiciário. O acordo estabelece diretrizes para ampliar a articulação institucional entre o CNJ e os tribunais estaduais e promover iniciativas alinhadas às finalidades do Fundo de Modernização do Conselho Nacional de Justiça (FMCNJ). Com vigência de dez anos, a cooperação prevê o desenvolvimento conjunto de ações voltadas à transformação digital e ao aprimoramento da gestão e dos serviços prestados pelo Judiciário.

Ao abrir a cerimônia, Fachin agradeceu a presença e o engajamento dos presidentes dos tribunais de Justiça e afirmou que a adesão ao instrumento expressa o compromisso das cortes com o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional. Segundo ele, a iniciativa integra uma política institucional mais ampla voltada à modernização do sistema de Justiça. “Não se trata de um gesto isolado, mas de um passo no âmbito de uma política estruturada de modernização do Judiciário que há muito ocupa a centralidade das nossas discussões institucionais”, afirmou.

O ministro destacou que o Fundo de Modernização do CNJ foi criado para responder, de forma coordenada, aos desafios trazidos pela evolução tecnológica e pelas expectativas da sociedade por serviços mais céleres, acessíveis e seguros. “O objetivo desse fundo é nítido: modernizar e agregar tecnologia da informação aos serviços prestados pelo CNJ às instituições, ao cidadão e à cidadã”, disse, ao explicar que os recursos serão destinados a iniciativas de inovação, segurança cibernética e capacitação em tecnologia da informação para magistrados e servidores.

Segundo Fachin, a cooperação permite desenvolver soluções tecnológicas mais inclusivas e adequadas às diferentes realidades locais. “A modernização do Poder Judiciário não é um fim em si mesmo, é um meio para garantir direitos, fortalecer o Estado de Direito, a democracia e honrar o compromisso institucional de prestar jurisdição em tempo adequado e com qualidade”, declarou.

Entre os eixos previstos no acordo estão o incentivo à inovação tecnológica, o fortalecimento da segurança cibernética, a capacitação em tecnologia da informação para magistrados e servidores e o aprimoramento da infraestrutura tecnológica dos tribunais. As ações incluem ainda automação de processos, uso de inteligência artificial, análise de dados e melhorias nos fluxos de trabalho, com o objetivo de ampliar a eficiência e a qualidade dos serviços judiciais.

A imagem mostra três homens sentados um ao lado do outro, vistos de perfil e voltados para a direita. Ao centro está o desembargador Osmar Duarte Marcelino, vestindo terno preto e gravata azul-escura; à esquerda está o desembargador Rodrigo Mohr Picôn, usando terno preto e gravata clara; e, à direita, o desembargador Silvio Hiroshi Oyama, trajando terno preto e gravata preta com detalhes em vermelho. O fundo da imagem é claro e desfocado, destacando os três homens em primeiro plano.
Desembargadores representantes dos Tribunais de Justiça Militar Estaduais: Osmar Duarte Marcelino (TJMMG), ao centro; Rodrigo Mohr Picon (TJMRS), à esquerda; e Silvio Hiroshi Oyama (TJMSP), à direita

O instrumento também prevê a disseminação de boas práticas e iniciativas de comunicação institucional para ampliar o conhecimento e a adoção das soluções tecnológicas desenvolvidas no âmbito do Judiciário. Caberá ao CNJ coordenar as ações e acompanhar sua execução, além de consolidar relatórios sobre os resultados alcançados.

Durante a cerimônia, o presidente do Tribunal de Justiça do Ceará e do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, afirmou que a assinatura do instrumento concretiza um processo de articulação iniciado no ano passado. Segundo ele, o compromisso firmado pelos tribunais na Carta de Fortaleza, que encerrou o XIX Encontro Consepre realizado em fevereiro último, já indicava a importância da criação do fundo e da cooperação com o CNJ para ampliar investimentos em inovação, tecnologia e inteligência artificial no Judiciário. Para o desembargador, a iniciativa fortalece a parceria entre o Conselho e os tribunais, e permitirá que novos recursos e ferramentas tecnológicas contribuam para melhorar a qualidade da prestação jurisdicional em todo o país.

Entre os diversos representantes de tribunais participantes do encontro, estiveram o desembargador Osmar Duarte Marcelino, presidente eleito do TJMMG para o biênio 2026-2028; desembargador militar Rodrigo Mohr Picon, presidente do Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul (TJMRS); desembargador militar Silvio Hiroshi Oyama, presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP); ministro Artur Vidigal de Oliveira, do Superior Tribunal Militar (STM); desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG); ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedor nacional de Justiça; ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST); e ministro Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Papel do judiciário – Durante encontro, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmou que o futuro da magistratura brasileira passa pelo fortalecimento da confiança pública, pela observância estrita da Constituição Federal e pelo compromisso permanente com a inclusão e a justiça social. “O tema deste encontro é o futuro da magistratura. Mas não gostaria de tratar do futuro para esquecer do passado ou para evitar o presente. Pelo contrário. É preciso orgulhar-se desse Poder que representa a institucionalidade no nosso país”, afirmou.

O ministro destacou o papel histórico do Judiciário na formação do Estado brasileiro e lembrou que a magistratura deve atuar com independência e imparcialidade. Segundo ele, o distanciamento institucional em relação aos interesses em disputa é condição para garantir justiça e equidade. Fachin também enfatizou que o fortalecimento da democracia depende da ampliação do acesso efetivo à Justiça, especialmente para populações historicamente excluídas. Ao citar o jurista Dalmo Dallari, afirmou que o desafio das próximas gerações será fazer a democracia alcançar todas as camadas da sociedade.

Ao abordar o papel institucional da magistratura, o ministro ressaltou que a Justiça deve permanecer independente de pressões políticas ou econômicas. “Não podemos deixar que a Justiça fique aprisionada em interesses paroquiais, em conveniências econômicas ou em cálculos políticos”, afirmou. “Devemos ser virtuosos e dar o exemplo”, prosseguiu. Ele ressaltou ainda que a legitimidade do Judiciário está diretamente relacionada à transparência e à capacidade de fundamentar suas decisões diante do escrutínio público. “Não temos o voto. Temos a razão da lei. Por isso, não podemos jamais abrir mão de fundamentar nossas escolhas e justificar nossas decisões”, observou.

O presidente do STF citou que o encontro ocorreu em um momento de debate público sobre o Poder Judiciário, inclusive em relação ao regime remuneratório da magistratura. Segundo ele, o Judiciário brasileiro reúne atualmente cerca de 18,9 mil magistrados e magistradas, apoiados por aproximadamente 278 mil servidores, responsáveis por administrar um acervo de mais de 75 milhões de processos pendentes em todo o país. Fachin apontou ainda quatro desafios frequentemente mencionados no debate público sobre o sistema de Justiça: a morosidade processual, a crise de confiança pública, a complexidade da governança institucional e as controvérsias sobre a remuneração da magistratura.

De acordo com ele, pesquisas indicam que a sociedade brasileira espera do Judiciário três compromissos centrais: maior celeridade na prestação jurisdicional, igualdade perante a lei e transparência institucional. “A discussão, portanto, não é apenas financeira, mas também institucional e simbólica, pois envolve a percepção pública de integridade e legitimidade do sistema de justiça”, salientou.

Ao tratar do debate sobre o regime remuneratório, o presidente do STF afirmou que juízas e juízes devem receber remuneração adequada, mas ressaltou que qualquer solução precisa estar claramente fundamentada na Constituição. “É certo que juízas e juízes não podem ser mal remunerados. Têm direito à proteção contra o aumento do custo de vida e merecem o prestígio do valor que os orienta: a lei, a razão, a justiça”, disse. Para ele, a abertura ao escrutínio público não enfraquece a magistratura, mas fortalece sua legitimidade institucional. “Os privilégios funcionais da magistratura existem como depósito da confiança pública e só se sustentam enquanto essa confiança existir”, ponderou.

Ao final da fala, Fachin afirmou que o encontro busca contribuir para o planejamento do Judiciário brasileiro no século XXI. Segundo ele, a sociedade espera um Estado eficiente, íntegro e capaz de garantir segurança, oportunidades e justiça social. O ministro concluiu conclamando magistradas e magistrados a atuarem como exemplo para as novas gerações da magistratura, e a manterem o compromisso com os valores constitucionais. “Os tempos não são fáceis. Mas encontros como este renovam a esperança de que estejamos, juntos, sempre à altura da promessa constituinte e da regra da legalidade constitucional”, concluiu.

Leia a íntegra do pronunciamento do presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Edição: Esperança Barros e Rafaela Berigo (Ascom/TJMMG), a partir de texto do STF
Foto: Gustavo Moreno/STF

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