Projeto-piloto do Banco de Acórdãos é entregue à administração do TJMMG

O Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais (TJMMG) está em fase de conclusão do Banco de Acórdãos, ferramenta que objetiva promover a melhoria da consulta, da gestão da informação e do uso da jurisprudência produzida pelo Tribunal. Na quarta-feira, 8, o projeto-piloto da plataforma, que vem sendo desenvolvido há um ano pelo Laboratório de Inovação, foi entregue oficialmente à presidência do TJMMG, a fim de receber as considerações finais antes de sua efetiva implantação.

“Ao concluir e entregar este projeto à Administração do TJMMG, como integrante do Laboratório de Inovação, fico com a sensação de que o resultado vai muito além de uma simples solução tecnológica. No fundo, o que construímos foi um exemplo de como a inovação, quando bem conduzida, pode transformar a realidade institucional de uma maneira muito simples”, celebra o juiz de Direito do Juízo Militar João Pedro Hoffert Monteiro de Lima, que repassou a ferramenta para análise do presidente da Corte Militar, desembargador Osmar Duarte Marcelino.

O acervo de acórdãos do TJMMG constitui patrimônio institucional relevante para a uniformização da jurisprudência, para a segurança jurídica e para a difusão do conhecimento no âmbito do direito penal e processual penal militar. No entanto, os mecanismos atualmente disponibilizados ao público não atendem plenamente às necessidades de pesquisa, análise e recuperação dos julgados, o que limita a utilização prática da jurisprudência tanto internamente, quanto pela sociedade.

O desenvolvimento do conceito para a ferramenta contou com a participação de magistrados, servidores e usuários do sistema, especialmente ligados a áreas técnicas como o Núcleo de Gerenciamento de Precedentes, a Diretoria Judiciária, e a Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação. Mas o que seria inicialmente apenas a construção de uma ferramenta tecnológica se mostrou uma solução ainda mais ampla.

“Ao longo do processo, uma lição ficou muito clara para todos os membros do Laboratório de Inovação: não adianta buscarmos uma solução sofisticada sem entender, de fato, qual é o problema. Recebemos a demanda da dificuldade em pesquisa na base de acórdãos; porém, quando fomos olhar de perto, percebemos algo mais profundo — a dependência de processos manuais, a falta de estruturação dos dados e, com isso, o risco constante de inconsistências. Se tivéssemos pulado essa etapa de escuta, provavelmente teríamos criado só mais uma ‘solução’, que em pouco tempo poderia se tornar obsoleta”, avalia o juiz.

Com a mudança na rota de elaboração do produto o resultado foi além, porque o investimento em tecnologia resultou em outros ganhos administrativos, inclusive na otimização de recursos humanos. “A partir dessa redefinição, conseguimos construir, de forma conjunta, uma solução muito mais alinhada com a realidade do tribunal. E foi nesse momento que a inteligência artificial entrou como uma aliada importante. Em vez de substituir pessoas, a ideia sempre foi qualificar o trabalho. Automatizar a juntada e a organização dos acórdãos — que antes eram feitas manualmente — trouxe um ganho claro de eficiência e confiabilidade. A IA passa a cuidar das tarefas repetitivas, enquanto os servidores podem se dedicar a atividades que realmente exigem análise, experiência e julgamento. Quando liberamos esse tempo, ganhamos como instituição, porque essas mesmas pessoas passam a atuar onde fazem mais falta. Em um tribunal com estrutura enxuta, isso faz toda a diferença”, justifica.

“O impacto do projeto também aparece de forma muito concreta. Um acervo de acórdãos confiável fortalece a segurança jurídica, melhora a transparência e permite que qualquer pessoa — magistrados, servidores, advogados, promotores, pesquisadores ou cidadãos — entenda com mais precisão como decide o TJMMG. No fim, isso aproxima o Tribunal da sociedade e melhora a qualidade do serviço que prestamos. Depois de todo esse caminho, a impressão que fica é que não entregamos apenas um projeto-piloto funcionando. Entregamos uma forma diferente de olhar para processos, dados e para o próprio trabalho no Judiciário. A tecnologia tem seu papel, claro, mas o que realmente sustenta o resultado é o cuidado em entender o problema certo e construir a solução junto com quem vive a rotina todos os dias. É isso que faz com que a mudança tenha chance de durar”, conclui o magistrado.

A imagem mostra o presidente do TJMMG, desembargador Osmar Duarte Marcelino, vestindo terno azul, ao lado do juiz de Direito do Juízo Militar João Pedro Hoffert Monteiro de Lima, que usa terno preto, na sala da Presidência do TJMMG. Ao fundo, há duas bandeiras.
Presidente do TJMMG, desembargador Osmar Duarte Marcelino (de terno azul), e juiz de Direito do Juízo Militar João Pedro Hoffert Monteiro de Lima

 

Edição: Esperança Barros (Ascom/TJMMG), com texto do Laboratório de Inovação

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